terça-feira, dezembro 19, 2006

Solução definitiva

Por Fausto Faria, publicado no Prosa & Política
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Há algum tempo, os que vivem no andar de cima encontraram a solução para a paz e a tranqüilidade. Abrindo mão de uma pequena parte dos seus haveres, alugam segurança pessoal e familiar. Utilizam helicópteros ou carros blindados para seus deslocamentos e não se fala mais nisso. Conquistaram a tão desejada segurança.
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O “imprevisto” ocorrido entre dois Ministros do Supremo Tribunal Federal e alguns cidadãos portando armas de fogo acabou trazendo à tona esse tema tão discutido e nunca resolvido. Não se pode negar que o episódio da Linha Vermelha foi muito pedagógico. Serviu para que algumas autoridades, o Ministro da Justiça entre elas, explicitassem suas opiniões. Sem meias palavras, Sua Exa. responsabilizou as supostas vítimas pelo ocorrido.
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Declarou, para quem quisesse ouvir, que os magistrados foram relapsos: esqueceram de requisitar apoio da PF, que lhe é assegurado em lei. Espia só.
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Vamos ver se entendemos isso direito. A segurança dos mais importantes está resolvida. Os mais aquinhoados por seus próprios meios. As altas autoridades, e apenas elas, usando os recursos pagos pelos do andar de baixo.
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Quanto ao demais, os noventa e cinco por cento da população, que convivem diuturnamente entre o fogo cruzado desses cidadãos armados e a polícia despreparada, nenhuma palavra. Faltou o doutor Márcio Tomas Bastos dizer que vai propor uma nova definição legal sobre o tema.
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Enquanto o ministro matuta sobre um novo texto legal, para resolver de vez essa aporrinhação, faço, humildemente, algumas sugestões, que podem, quem sabe, ser utilizadas pelo senhor ministro:
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1. Os ricos são responsáveis pela sua própria segurança, e de suas famílias, bem entendido, nos termos em que é praticada até o momento;
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2. As altas autoridades, inclusive ministros, deverão requisitar escolta da PF e fazerem seus deslocamentos por helicópteros.
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3. As despesas para a manutenção dos serviços constantes no item 2. correrão por conta da turma do andar de baixo;
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4. Quanto ao restante da população, essa massa informe e com pouco poder, fica terminantemente proibido denunciar qualquer desavença com cidadãos armados e;
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5. Revogam-se as disposições em contrário, em especial aquelas que consideram crime qualquer agressão contra os mortais comuns.
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Com a reconhecida habilidade de MTB, no manejo das leis, suponho que as sugestões oferecidas receberão a devida formatação legal e teremos a solução definitiva para a segurança da sociedade.