terça-feira, dezembro 19, 2006

TOQUEDEPRIMA...

PF prende 80 policiais e acusa Álvaro Lins
.
Oitenta policiais foram presos ontem em duas operações da Polícia Federal para desbaratar quadrilhas ligadas a traficantes, à venda de armas para bandidos e à máfia dos caça-níqueis no Rio. As investigações, nas quais a PF obteve da Justiça mandados de prisão contra 120 pessoas, alcançaram o delegado Álvaro Lins, chefe de Polícia na gestão do ex-govenador Anthony Garotinho (PMDB), e na atual, comandada por sua mulher, Rosinha Garotinho.
.
A PF pediu a prisão temporária de Lins, mas a 4ª Vara Criminal Federal negou. Lins é suspeito de crime eleitoral, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Diplomado ontem deputado estadual, ele é acusado de ter a campanha financiada por bicheiros que exploram jogos eletrônicos. Antes de entrar na Polícia Civil, Lins foi oficial da PM e já teve o nome envolvido numa lista de pessoas que supostamente recebiam propina do bicho.
.
Na operação realizada à tarde, batizada de Gladiador, também foi detido o comandante do 14º Batalhão da PM (Bangu), coronel Celso Nogueira, suspeito de envolvimento com as quadrilhas de caça-níquel. O coronel já havia sido afastado do cargo pela manhã, quando foram presos 39 praças e um tenente do batalhão, acusados de ligação com o tráfico de drogas.
.
Ainda foram detidos na Gladiador outros dois PMs e dois policiais civis. No total, 45 mandados de prisão foram expedidos pela Justiça Federal na investigação sobre os caça-níqueis.
.
**********
.
Foro privilegiado
.
Como foi diplomado, Lins agora tem foro privilegiado, disse o superintendente da PF no Rio, Delci Teixeira. Para o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) Roberto Wider, no entanto, Lins só tem esse direito depois da posse, em 1º de fevereiro. A Procuradoria Regional Eleitoral tem três dias úteis, após a concessão do diploma, para recorrer da diplomação de um parlamentar. O prazo se esgota na quarta-feira.
.
Um mandado de busca e apreensão para a casa de Lins foi expedido pela Justiça Federal, mas Teixeira disse que não houve tempo hábil para o cumprimento antes da diplomação porque os 380 policiais mobilizados na Gladiador são os mesmos que participaram pela manhã da Operação Tingüi - a PF usou homens de São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Minas.
.
"A Justiça entendeu que não havia elementos suficientes para a prisão", disse Teixeira. "O fato de o delegado ter pedido a prisão demonstra que estava plenamente convencido do envolvimento." O superintendente disse também que os dados da investigação serão encaminhados ao procurador regional eleitoral Rogério Nascimento.
.
Lins não quis comentar o assunto. Por meio de sua assessoria, disse que desconhece as acusações e vai constituir advogado para se defender. Também por intermédio de assessores, a governadora Rosinha disse que não iria se pronunciar sobre as acusações contra o delegado que ocupou o mais alto cargo na hierarquia da Polícia Civil.
.
As investigações da Gladiador começaram há mais de sete meses. O alvo inicial eram os contraventores Rogério Andrade e Fernando Ignácio, herdeiros do bicheiro Castor de Andrade, que travavam uma guerra pela exploração de caça-níqueis. Mais de 50 pessoas morreram nessa disputa.
.
**********
.
O olhar seletivo de Lando
.
O relatório do maître Amir Lando (PMDB-RO) viu vícios no projeto de inclusão digital do Ministério da Ciência e Tecnologia e nos convênios do Ministério da Saúde para aquisição de ambulâncias, mas nenhum culpado.
.
***********
.
Invasão de angolanos desencadeou investigações
.
A investigação que resultou na prisão de 80 policiais acusados de envolvimento com o tráfico de drogas teve início em janeiro, quando a PF passou a apurar a participação de angolanos refugiados da guerra civil, que vivem no complexo de favelas da Maré, na Zona Norte do Rio, no treinamento de traficantes em técnicas de guerrilha.
.
Segundo as investigações, um grupo de angolanos foi recrutado para reforçar o tráfico na Favela do Muquiço, onde passa o córrego Tingüi, que batizou a operação contra os PMs. Acuado pela presença dos angolanos, o chefe do tráfico do Muquiço, Bruno da Silva Lourenço, o Coronel, pediu ajuda a policiais para expulsá-los. "A invasão dos angolanos durou três dias. Depois da expulsão, ficou aberto um canal em que os PMs podiam obter facilidades", comentou um delegado federal.
.
A partir de então, os policiais passaram a revender no Muquiço drogas e armas apreendidas com quadrilhas rivais. Os PMs não agiam em conjunto.
.
Formaram-se subgrupos que se especializaram também em extorsão e seqüestro de traficantes, pelos quais cobravam resgate.
.
Nas gravações obtidas pela PF, os PMs cobram propina para não patrulhar a favela (o "arrego"). Num dos diálogos, um policial diz que o dinheiro também beneficia o serviço reservado do Batalhão de Bangu, "os homens de preto que trabalham com a gente". Noutra conversa, um policial diz que tem um "cafezinho" (maconha), pelo qual pede R$ 350 o quilo. Ele informa que tem 100 quilos da droga e surpreende até mesmo o traficante: "Cem quilos, maluco? C..., esculachou, então". Um uniforme completo do Batalhão de Operações Especiais foi oferecido a um traficante.
.
Perguntado sobre a participação de oficiais nos crimes, um delegado federal que investiga o caso respondeu: "Pode até ser que um comando não sabia da participação de vários dos seus policiais em casos como este, mas quando se consta que houve P2 (serviço reservado) e usaram o blindado, fica difícil acreditar"
.
O próprio comandante da PM, coronel Hudson de Aguiar, foi ao 14º Batalhão (Bangu) para acompanhar as prisões de 40 policiais. Os PMs foram abordados quando chegavam para o trabalho. Tiveram seus carros e armários revistados. Um deles foi obrigado a tirar a farda na rua e entregá-la, juntamente com sua arma, ao colega que o prendia.
.
Enquanto isso, em Rocha Miranda, o corregedor da PM, coronel Paulo Ricardo Paul, cumpria 16 mandados de prisão no 9º Batalhão. Outros nove policiais, contra os quais a Justiça expediu apenas mandados de busca e apreensão, ficaram em prisão administrativa (72 horas) por determinação do corregedor. Oito foram presos no Batalhão de Choque, um no Méier e outro em São Cristóvão. A prisão temporária vale por 30 dias.
.
***********
.
Máquina permite imprimir o jornal que você quer
.
A empresa Satellite Newspaper instalou 125 máquinas pelo mundo que permitem aos usuários selecionar os grandes jornais do mundo que mais lhe interessam e imprimi-los em formato PDF. A iniciativa oferece 184 grandes jornais de 54 países.
.
Trata-se do Satellite Newspaper Kiosk. A máquina mede 70cm de largura por 143cm de altura. Os consumidores pagam facilmente o serviço com cartão de crédito ou cartões pré-pagos Kiosk-card.
.
Entre os jornais brasileiros, estão disponíveis por enquanto Agora, Gazeta Mercantil e Estado de S.Paulo. Os Estados Unidos têm com o maior número de publicações, 21 jornais.