terça-feira, dezembro 19, 2006

Lula, Fidel Castro é tão ditador quanto foi Pinochet !

COMENTANDO A NOTÍCIA:
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Na notícia a seguir, reprisamos algumas frases proferidas por Lula com o propósito de fazer registro agora e cobrar coerência depois. Muito embora coerência não seja uma virtude do presidente, é importante destacar que Lula sempre usa discursos específicos para públicos distintos. Ele, raramente, mantém dois discursos iguais e na mesma direção.
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Porém, ao se referir à ditadura militar do Brasil e à ditadura do Chile com Pinochet, ele emendou um “...como foi em outros países...” , quando poderia ter incluído aí a ditadura militar na Argentina e a ditadura de seu amigo Fidel Castro, em Cuba. Mas passou por cima.
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A segunda observação que queremos fazer é quanto a investimentos em infra-estrutura. Disse Lula que o último presidente a investir em infra-estrutura foi o General Ernesto Geisel. Mentira. E uma mentira maldosa. Números oficiais do próprio governo atestam investimentos em portos, energia elétrica e transportes no período de FHC. Acreditamos que Lula deveria ter um pouco mais de respeito com a verdade e com a história. Que queira a qualquer custo superar méritos de presidentes anteriores e, vá lá, que ele tenha esta obsessão compulsiva em negar qualquer virtude do período de Fernando Henrique, isso é lá com ele. Mas como presidente, Lula não tem o direito de pular por cima dos fatos. Inclusive em boletim anterior do TOQUEDEPRIMA já demonstramos que, no capítulo de energia elétrica, apesar do apagão, Fernando Henrique fez muito mais do Lula, que praticamente não começou nenhuma obra nova.
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Por fim, com expectativa, aguardo para ver a atitude que o governo de Lula tomará em relação à já muito próxima morte de Fidel Castro. Pela morte de Pinochet, não faltou crítica explícita quanto ao ditador chileno. Nada além disso. Quero é ver se Lula vai decretar luto oficial de três dias. Aliás, os militares já avisaram que praticarão desobediência militar. Nada de bandeira a meio-pau. De minha parte, se puder, comemorarei a exaustão a morte de mais um ditador canalha. O mundo é muito melhor sem eles.
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No Brasil, ditadura foi menos violenta, diz presidente
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BRASÍLIA - Após participar de almoço de final de ano com oficiais no Clube do Exército, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o regime militar brasileiro (1964-1985) não foi tão violento quanto o regime chileno (1973-1990). "Acho que o Brasil tem uma história diferente de todos os outros países. Mesmo a ditadura, no Brasil, não foi tão violenta como foi a no Chile, como foi em outros países", disse.
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Horas antes, Lula tinha inaugurado o Museu Honestino Guimarães no Complexo Cultural da República, uma homenagem a um estudante da Universidade de Brasília, desaparecido em 1976, no auge da repressão militar. No início da semana, o Palácio do Planalto chegou a soltar nota para dizer que o Chile viveu dias sombrios durante o período Pinochet. Lula ontem fez o comentário em relação ao Chile a uma pergunta sobre a visão dele sobre a ditadura brasileira e o fato de ter divulgado a nota.
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Quase 300 pessoas foram mortas nos porões do regime militar brasileiro e em confrontos armados nas cidades e em áreas rurais com agentes das Forças Armadas. No Chile, grupos de direitos humanos calculam que o regime do ditador Augusto Pinochet, que morreu no domingo, matou três mil pessoas. A ditadura argentina (1976 a 1983) teria assassinado mais de 20 mil adversários do regime.
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A uma observação sobre as quase 300 mortes na ditadura brasileira, o presidente Lula continuou: "No Brasil, nós tivemos um outro processo". Ele também discordou dos que defendem o julgamento de acusados de cometerem crimes político no período militar. "Houve um processo de anistia negociado, inclusive com as pessoas que participaram do processo e que foram vítimas", afirmou. O processo que resultou na Lei de Anistia, de 1979, no entanto, não contou com a participação de grupos políticos à época clandestinos.
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Cercado por oficiais que acabavam de almoçar, o presidente não assegurou a abertura dos arquivos que podem explicar os momentos mais dramáticos da ditadura, que são os confrontos entre militares e guerrilheiros. "Nós já mandamos uma parte dos arquivos para o Rio de Janeiro", disse. "Agora, tem coisas que não descobrimos, apesar de termos investigado, de termos mandado o ministro Márcio (Thomas Bastos, da Justiça), na época o ministro José Dirceu e o procurador da República", completou. "Determinadas coisas você só vai saber se alguém que participou contar para você, caso contrário não vai descobrir."
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Em um jantar no Clube da Aeronáutica, em outubro de 2004, Lula disse claramente a oficiais que não pretendia abrir os arquivos militares. O ex-ministro José Dirceu, que foi exilado durante o regime militar, não atuou para exigir a revelação dos documentos O mesmo ocorre, agora, com a sucessora dele na Casa Civil, a ministra Dilma Rousseff, que participou da luta armada contra a ditadura.
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Críticas
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Durante o almoço, Lula criticou dois presidentes do regime militar: os generais Emílio Médici (1968 a 1973) e Ernesto Geisel (1974 a 1979). Num salão lotado de oficiais das três Forças, Lula disse que Médici fez o País crescer a uma taxa de até 13,4% ao ano, durante o chamado "milagre brasileiro", mas sem melhorar a distribuição de renda.
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Já Geisel foi apontado por Lula como o último presidente a fazer investimentos em infra-estrutura, mas deixou um "pepino" para seu sucessor, o general João Figueiredo (1979 a 1985). De acordo com Lula, a dívida externa contraída para garantir o "Brasil grande" impediu Figueiredo de dar prosseguimento aos investimentos. O presidente lembrou que, em seu primeiro mandato quitou a dívida do País com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
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Em mais uma metáfora, Lula afirmou hoje que, no segundo mandato, será a "vidraça" de seus próprios discursos e, por isso, deverá adotar um tom mais cauteloso nas críticas. "Vou fazer discursos comparando o meu segundo mandato com o primeiro. Agora, a vidraça sou eu, de mim para eu mesmo. Jogarei as pedras, portanto, com mais cautela", disse.
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Os oficiais demonstraram pouco interesse no discurso. O almoço já estava atrasado mais de uma hora, por causa de uma palestra sobre investimentos feito no local pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ex-guerrilheira nos tempos da repressão.
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Lula disse que, depois de quatro anos de governo, descobriu o "caminho das pedras", referindo-se à condução das políticas econômica e fiscal. "No segundo mandato, se a gente não fizer mais do que no primeiro mandato, a frustração pode ser muito grande na sociedade brasileira", disse. "Queremos dar outro passo", acrescentou. "Essa é a razão pela qual fui candidato e fui reeleito."
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No discurso aos oficiais, o presidente pediu o apoio das Forças Armadas na busca do desenvolvimento econômico do País. Lula afirmou que a prioridade de seu segundo mandato será a busca do crescimento econômico. "Não estamos mais dispostos a conviver mais quatro anos discutindo a miséria", disse. "Na hora de fazer o orçamento é como se estivéssemos em uma casa que não tem pão, onde todo mundo briga e ninguém tem razão", acrescentou. "O cobertor é curto, por isso a economia precisa crescer."
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Ele ressaltou que o Brasil não vai a "lugar algum" se a economia não crescer "Há 26 anos, a economia brasileira não cresce", reiterou. Lula voltou a afirmar, no entanto, que seu governo não abrirá mão de "uma política fiscal rígida e do controle da inflação." O presidente salientou que o almoço de ontem, próximo ao Natal, foi uma oportunidade para compartilhar com os oficiais o desafio de fazer a economia crescer.